La Saga d’Elin: colored page

12/10/2011 § 2 Comentários

La Saga d’Elin, page 8

Layout: do roteiro à página

05/10/2011 § 4 Comentários

Aqui vai um pequeno artigo sobre a parte mais delicada da criação de uma página de quadrinhos: o desenho dos storyboards ou layouts. Ao menos para mim é a etapa que demanda mais atenção e concentração, mas uma vez determinada a sequência mais eficiente e clara de imagens da narração visual, o resto é fácil. Usarei a página 42 do tomo 2 de “Awrah”, escrito por Fuat Erkol e Christian Simon, como exemplo.

Antes de tudo, é evidentemente necessário ler com atenção o roteiro decupado enviado pelo(s) roteirista(s) e imaginar como mostrar as cenas de cada quadro com clareza e dinamismo para assegurar a compreensão da narrativa visual pelo leitor. Como se vê na primeira imagem, tenho o hábito de esboçar as cenas e seus enquadramentos na folha do próprio roteiro para já ter uma idéia de como ficará o encadeamento. Aí estudo qual “câmera” resultará em uma composição mais interessante para o quadro.

Em seguida, é preciso ver como é que essas cenas esboçadas serão colocadas no layout da página. Ainda que às vezes já se tenha determinado o número de bandas (divisões horizontais) que terá a página, haverá que se fazer modificações também nesse nível para dar espaço suficiente para texto e imagem. É sempre útil fazer um croquis de como será o esquema final da página ainda antes de passer ao desenho final do storyboard a ser enviado ao(s) roteirista(s) para aprovação.

Não se deve contudo jamais esquecer de colocar integralmente os textos, ou prever o espaço equivalente para eles, para se ter uma idéia precisa de quanto espaço ocuparão no quadro e quanto sobrará para o desenho. Uma vez aprovado o storyboard é hora de passar à folha de sulfite A3 240gr, colocar um bom audiolivro no iPod e trabalhar!

Carthage, tome 2 (Ed. Soleil): pages and casting

27/09/2011 § 2 Comentários

Written by Fabrice David et Gregory Lassablière and colored by Romain Lubière.

Visit the publisher’s website to discover more about the series!

Old page, new coloring

02/09/2011 § Deixe um comentário

Awrah tome 2, page 48

“Awrah” tome 2, page 48.

Watercolor on 200g smooth paper.

Como fazer um projeto de História em Quadrinhos

24/05/2011 § 7 Comentários

Você está com um projeto de uma história em quadrinhos na cabeça e não sabe por onde começar? Pois antes de imaginar que ele terá 500 mil páginas ou precisará ser publicado em 200 edições, é preciso começar pelo começo.

Por mais longo que seja, um caminho sempre começa com um primeiro passo, e aqui vão alguns que poderão ajudar a organizar suas idéias e, finalmente, ter um material ORGANIZADO e apresentável para mostrar para um editor:

 

Sinopse, sinopse, sinopse!

Comece com uma sinopse, ou seja, resumindo sua história com clareza em algumas poucas linhas. Esse item é crucial no primeiro momento, em que o projeto será mostrado para um editor ou parceiro de produção (desenhista, colorista, arte-finalista, etc.), e esta pessoa tiver apenas 5 minutos para avaliar se aquele projeto lhe interessa ou não.

Ninguém tem tempo de ler 20 páginas roteirizadas até finalmente entender do que a tal história se trata, então, mostre-a da maneira mais objetiva e sintética possível se quiser que o seu projeto tenha uma chance entre tantos outros.

Além disso, se não puder explicar o enredo de sua história em algumas poucas linhas, é sinal de que o mesmo não está claro o suficiente nem para você.

 

Roteiro

Desenvolva a sinopse num roteiro mais detalhado, de algumas páginas. Mostre-a para amigos ou outros profissionais de confiança (que saberão respeitar o carácter secreto do projeto), pessoas que poderão lançar um olhar crítico e apontar problemas no desenrolar da história que, muito frequentemente, passam desapercebidos ao autor. Só depois passe à versão decupada que será passada para o desenhista.

 

Formato

Em seguida, procure determinar em quantas páginas a história será contada. Quais são os formatos comerciais de HQ que existem no mercado? Em qual deles sua história se encaixaria melhor?

Se as gráficas e editoras trabalham com publicações de 48 páginas, por exemplo, por questões tecnicamente mais vantajosas, encaixar o seu roteiro numa narrativa de 48 páginas pode ser mais um ponto a favor, um passo para viabilizar a sua publicação.

 

Planejamento

Faça uma apresentação do projeto descrevendo sua intenção, público-alvo (faixa etária, público em geral, público escolar, etc.) e maneira como será produzido (se houver uma equipe, quem vai fazer o quê exatamente), como será financiado (recursos próprios, LIC, FUMPROARTE, concursos…), se está procurando editora, distribuidora, etc.

Todos esses pontos serão úteis na hora de defender o seu projeto num concurso por verbas, ou diante de um editor, e você estabelecerá com clareza as suas intenções de público, planejamento de produção e também financeiro.

 

Pesquisa e documentação

Sua história se passa em outra época? Ou é contemporânea mesmo? No Brasil ou em outro país, outro planeta? Seja como for, um bom estudo de referências visuais tais como roupas, cenários, arquitetura, veículos, etc. da época em questão é indispensável para deixar a sua história convincente, ‘puxar’ o leitor para dentro da narrativa.

Assim, dedique um tempo a se familiarizar com o contexto histórico ou geográfico em que sua história se passa, procure saber como era a vida, como eram as pessoas nesse contexto e use isso para reforçar a sua narrativa, torná-la instigante, informativa, dar-lhe a riqueza visual necessária para realmente fazer o leitor sentir-se ‘dentro’ da narrativa.

Se cabe ao roteirista entender bem a época em que sua história se passa, o desenhista tem que se familiarizar com a iconografia do contexto. Saber como desenhar as roupas que se usavam, saber como eram as ruas da cidade em tal ou tal época, como era o corte de cabelo que as pessoas mais usavam, como eram os carros, como eram os móveis. Inclua croquis de estudos na pasta do seu projeto, isso sempre reforçará a sua preocupação com o embasamento dele ao olhos de um editor, seja histórico ou não.

 

Personagens

A tarefa do roteirista é escrever um personagem cativante, e a do desenhista é, naturalmente, desenhá-lo. Nessas duas frentes, é necessário que haja um bom entendimento entre os dois profissionais a fim de criar personagens fortes, interessantes, carismáticos.

Busque o conceito claro de cada personagem, e procure dar a cada um sua fisionomia própria, seus traços inconfundíveis. A personalidade estabelecida pelo roteirista deve transparecer na aparência física do personagem, onde entra também a parte da indumentária vista no item da documentação. Em suma, dar-lhe uma leitura clara afim de que o leitor possa identificá-lo, lembrar-se dele, sentir-se interessado por ele.

E nada de desenhar sempre o mesmo rosto e só mudar o corte de cabelo!

 

Páginas

As 4 ou 5 primeiras páginas da história em quadrinhos são fundamentais para dar um ‘preview’ para o editor (e para o autor também) de como será o projeto inteiro. Nelas já se pode avaliar com objetividade alguns pontos importantes, como…

  • se o desenho está no nível desejado, tanto em estilo quanto em técnica;
  • se a narrativa visual, tanto entre os quadros quanto entre as páginas, é eficiente, clara, e funciona sem confundir o leitor;
  • se há textos demais, e se estão revisados, ou se o registro (coloquial, formal, etc.) em que estão escritos está adequado à história;
  • se a colorização está adequada ao projeto, valorizando o desenho e dando mais clareza à narrativa;
  • se o letreiramento usado (a fonte, ou de próprio punho, etc.) é o melhor.

 

Em suma…

…dê o chute inicial no seu projeto, e faça-o com seriedade. O importante é realmente debruçar-se sobre todas essas questões, colocar a ‘mão na massa’ e ter algo realizado do que ficar sonhando com histórias épicas que nunca saem da sua gaveta. É importante ser humilde, saber receber críticas e com elas melhorar o seu trabalho. Somente este último nos faz desenvolver nossas capacidades.

In portu

18/05/2011 § 6 Comentários

In portu

In portu

A bird’s eye view of a port in graeco-roman times, based on archaeological illustrations taken from my many books on the subject. There’s a Greek trirreme, a long (ca. 35m) and narrow (ca. 5m) warship that used both sails and rigging as well as 3 rows of slave rowers on each side to move fast and had a bronze ram attached to its prow. In battle, it would be used to crack open the opposing ship’s hull and make it sink during the attack. The cargo ships are bulkier as they have to offer enough space in their hulls to carry merchandise such as grain, garum, olive oil, wine, ore and other products.

Vista aérea de um porto do período greco-romano baseada em ilustrações arqueológicas tiradas de meus vários livros sobre o assunto. Pode-se ver um trirreme grego, um navio de guerra longo (ca. 35m) e estreito (ca. 5m) que usava tanto velas quanto 3 fileiras de escravos remadores de cada lado para se mover com velocidade e que tinha um aríete de bronze preso à proa. Em combate, este seria usado para quebrar o casco do navio oponente e fazê-lo afundar durante o ataque. Os navios de carga eram mais largos para oferecer espaço em seus porões para o transporte de mercadorias como grãos, garum, óleo de oliva, vinho, minério de ferro e outros produtos.

Roman cargo ship

Roman cargo ship

(Bardi, Pietro. Der große Xenos – Atlas der Antike.
1998 Xenos Verlaggesellschaft, mbH)

This is an illustration of a Roman cargo ship being loaded by port workers with sacks, probably containing grain. They usually had only one sail and the rudders for steering.

Esta é uma ilustração de um navio de carga romano sendo carregado por funcionários do porto com sacos, provavelmente contendo grãos. Estes navios geralmente tinham uma só vela e timões para orientar sua rota.

Saguntum delenda

01/05/2011 § 3 Comentários

Saguntum

Saguntum

On this week I was working on an aerial view of the ancient city of Sagunto (Saguntum, in Spain) under the attack of Hannibal Barca’s army, and I realised my tracing the perspective grid to have a better idea of the placement of roads and buildings was actually pretty useless: since this is an iberian city situated on a mountainous site, its roads weren’t very likely to go by the hippodamic scheme but follow the terrain’s natural level curves. This would then result in a slightly radial, irregular positioning of buildings and houses.

Nesta semana trabalhei na vista aérea da Sagunto antiga (Saguntum, na Espanha) sob o ataque das forças de Hannibal Barca, e percebi que fiz uma bobagem ao desenhar uma grelha perspectiva para orientar o desenho dos prédios e ruas: por ser uma cidade ibérica situada sobre um terreno acidentado, suas ruas provavelmente não seguiriam o plano hipodâmico de traçado urbano, mas respeitariam as curvas de nível naturais do terreno. Assim, a orientação dos prédios e casas seria irregular, mais ou menos radial.

Onde estou?

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